O aumento da batalha comercial entre Estados Unidos e China, com o crescimento significativo de taxas, despertou preocupação sobre uma provável depressão mundial. Em documento, o Itaú Unibanco reajustou para baixo as estimativas de desenvolvimento das principais economias e apontou ameaças de estagflação nos EUA, com influências diretas nas perspectivas para taxas de juros, inflação e matérias-primas.
Segundo o banco, o choque tarifário apresenta um forte impacto de oferta, que tende a diminuir o crescimento e pressionar os preços nos EUA. A previsão para o Produto Interno Bruto americano foi reduzida de 2,0% para 1,2% em 2025 e para 1,0% em 2026.
O núcleo da inflação, por sua vez, foi ajustado para cima, podendo atingir 4,5%, o que resultaria numa redução da renda real das famílias norte-americanas. Com isso, o Fed (Reserva Federal americana) deve restringir os cortes de taxas de juros, considerando apenas duas reduções de 25 pontos-base em 2025 e outras duas em 2026.
Para o Itaú, a entidade financeira terá que equilibrar a desaceleração econômica com um aumento dos preços motivado pelos custos.
A China, a mais afetada pelas taxas impostas por Donald Trump, vê seus produtos sob taxação de até 245%, enquanto taxa os EUA em 125%, o que, para o Itaú, torna inviável o comércio direto entre os dois países.
Dessa forma, a previsão para o PIB chinês em 2025 foi reduzida de 4,5% para 4,2%, com as exportações comprometidas pelos custos elevados das tarifas. Apesar dos estímulos já anunciados, espera-se que novas medidas sejam implementadas pelo país somente após evidências claras de desaceleração.
Já a Europa tende a conseguir compensar parte das perdas com estímulos fiscais, especialmente na Alemanha, afirma o Itaú. O crescimento projetado para 2025 foi mantido em 0,8%, com previsão de 1,5% para 2026.
No continente latino-americano, o México é um dos países mais prejudicados. Mesmo inicialmente isento das novas tarifas, o PIB mexicano deve sofrer um recuo de 0,5% neste ano, caracterizando uma recessão técnica.
Por outro lado, para a Argentina, o Itaú optou por manter a previsão de crescimento em 4,5% para 2025, sustentada por um efeito estatístico sólido, uma nova estrutura cambial mais flexível e apoio de organizações multilaterais.
Por outro lado, Chile, Peru e Colômbia tiveram suas estimativas ligeiramente ajustadas para baixo, impactadas pela queda nas matérias-primas — especialmente o cobre, que representa um risco de interrupção na recuperação do investimento impulsionado pela mineração nesses países.
O Itaú também reduziu a previsão para o preço do barril de petróleo, passando de US$ 70 para US$ 65 ao final de 2025 e 2026, devido a uma demanda mais fraca. Segundo os analistas, uma queda de 1% no PIB global acarretaria um impacto adverso de 9,5% no preço da mercadoria.
Fonte: Money Times
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