Os resultados das trocas internacionais do Brasil revelaram um déficit de US$ 6,036 bilhões em março, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) hoje.
Esse montante é mais que o dobro do valor registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 2,930 bilhões nas transações correntes. Esses dados dizem respeito às transações de mercadorias e serviços, assim como transferências de renda com outras nações.
Após três meses consecutivos de redução no déficit, houve um aumento no mês passado, resultando em um saldo negativo de US$ 64,274 bilhões nos últimos 12 meses até março, correspondendo a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), que é o total de bens e serviços produzidos no país.
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Desequilíbrio nas contas externas: déficit de US$ 8,8 bilhões é registrado em fevereiroComparado ao período correspondente terminado em março de 2025, houve uma diminuição no déficit; naquele mês, o saldo negativo em 12 meses foi de US$ 74,383 bilhões, ou 3,47% do PIB.
No mês de março deste ano, a piora na comparação anual se deve à diminuição de US$ 1,6 bilhões no superávit da balança de comércio de bens, devido ao aumento nas importações. Além disso, houve um acréscimo de US$ 1,1 bilhão no déficit em renda primária e de US$ 600 milhões no déficit em serviços.
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Investimentos
Conforme informações do BC, as transações correntes apresentam um cenário bastante sólido e, apesar do acréscimo no último mês, a tendência tem sido de redução no déficit em 12 meses desde setembro de 2025.
Além disso, a insuficiência nas trocas internacionais está sendo financiada por capitais de longo prazo, especialmente através dos investimentos diretos no país (IDP), que possuem fluxos e reservas de elevada qualidade.
O IDP totalizou US$ 6,037 bilhões em março deste ano, em comparação com US$ 6,295 bilhões no mesmo mês de 2025. Quando o país tem um déficit nas transações correntes, é necessário cobri-lo com investimentos ou empréstimos do exterior.
O IDP é a melhor forma de financiar o saldo negativo, uma vez que os recursos são empregados no setor produtivo e frequentemente representam investimentos de longo prazo.
Em 12 meses até março, esses investimentos diretos atingiram US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB), em comparação com US$ 75,918 bilhões (3,24% do PIB) no mês anterior e US$ 74,078 bilhões (3,45% do PIB) no período terminado em março de 2025.
No que diz respeito aos investimentos em carteira no mercado nacional, houve retirada líquida de US$ 2,867 bilhões no último mês, a maioria referente a títulos de dívida.
Em 12 meses encerrados em março, esses investimentos totalizaram entradas líquidas de US$ 28,4 bilhões, em comparação com entradas de US$ 29,5 bilhões nos 12 meses anteriores a fevereiro de 2026 e saídas líquidas de U$ 6,8 bilhões nos 12 meses até março de 2025.
Já o volume das reservas internacionais atingiu US$ 362,002 bilhões em março, representando uma redução de US$ 9,072 bilhões em relação ao mês anterior.
Transações correntes
No mês de março deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 31,738 bilhões, com um aumento de 9,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. Por outro lado, as importações atingiram US$ 26,118 bilhões, registrando um incremento de 19,9% em relação a março do ano anterior.
Com os resultados das exportações e importações, a balança comercial fechou com um superávit de US$ 5,620 bilhões no último mês, em contraste com o saldo negativo de US$ 7,219 bilhões em março de 2025.
O déficit na conta de serviços – incluindo viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicações e de propriedade intelectual, entre outros – alcançou US$ 4,785 bilhões no mês passado, frente a US$ 4,216 bilhões observados em março de 2025.
No último mês, o déficit em renda primária – compreendendo pagamento de lucros e dividendos de empresas, assim como juros e salários – atingiu US$ 7,384 bilhões, um aumento de 17,8% em relação a março de 2025, quando foi de US$ 6,267 bilhões. Normalmente, essa conta apresenta déficit, pois há mais investimentos estrangeiros no Brasil – e eles remetem os lucros para fora do país – do que brasileiros investindo no exterior.
A conta de renda secundária – envolvendo transferências de uma economia para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de bens ou serviços – registrou um saldo positivo de US$ 512 milhões no mês passado, em comparação com superávit de US$ 335 milhões em março de 2025.
Fonte: Agência Brasil